domingo, 14 de setembro de 2008

Coisas de Almada e da Gente de Almada

Costa de Caparica, imagem antiga do mercado ainda existente e do "comboio" que em circuito turístico percorria a povoação, então também designada Praia do Sol, para divertimento e satisfação dos visitantes e turistas.
Outros tempos, em que a "Costa" era uma excelente zona balnear e não a triste desgraça actual.
O "comboio" constituído por dois "atrelados-composições" puxados por um tractor, era propriedade da Empresa de Camionagem Piedense, uma das duas concessionárias de transportes públicos no concelho de Almada.
Ao fundo na imagem vêem-se algumas árvores, onde hoje existem prédios.

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Gente de Almada, Gente Que Viveu e Vive Almada

Grupo de Alunos com um Professor, do Externato Frei Luís de Sousa, no início dos anos 60.
Reconhecemos nesta foto na segunda fila o Rodolfo Henriques, o quarto a contar da direita (já falecido), o Ataíde o primeiro da direita. Na primeira fila o Lisboa, terceiro a contar da direita,o José Riachos, primeiro da direita (já falecido) e o Professor (de Inglês) Calado, ao centro, em pé.
A foto foi tirada no recreio do "Frei".
O Rodolfo Henriques faleceu em África, na Guiné, no cumprimento do serviço militar.
Agradecemos a um antigo aluno a cedência da foto.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Coisas de Almada e da Gente de Almada

Os cacilheiros, ao longo dos anos, sempre participaram em muitos e importantes acontecimentos no Rio Tejo.
Na foto deste post, datada de Junho de 1939 vemos o "Norte Expresso" junto ao paquete Colonial por ocasião da partida para Moçambique do Presidente da República Oscar Carmona.
Nesta foto o "Norte Expresso" ainda apresenta as suas duas chaminés originais, das quais uma era falsa (posteriormente foi transformado).

domingo, 3 de agosto de 2008

Coisas de Almada e da Gente de Almada

No Alto dos Capuchos, com a Costa de Caparica ao fundo, um criador de perus no local com as suas aves, nos anos 20 do Séc. passado.
Estes perus, indubitavelmente, não eram de aviário.

domingo, 20 de julho de 2008

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada

António Pinto da Silva mestre no "Norte Expresso". Era natural de Loulé. Aos 4 anos de idade acompanhou a família que veio para Cacilhas. Aqui cresceu e se radicou. Trabalhou em fragatas e botes, e nas lanchas que transportavam passageiros para os hidroaviões na Doca de Xabregas.
Tirou a carta de mestre e foi trabalhar como mestre do cacilheiro "Norte Expresso" em 1938 (?).
Foi também mestre noutra embarcação de passageiros o "Renascer" que fazia carreiras para Alcochete.
António Pinto da Silva, deixou de exercer a profissão devido a um Acidente Vascular Cerebral (AVC) passando então a trabalhar no Terreiro do Paço como amarrador de cabos dos cacilheiros.
Um segundo AVC afastou-o definitivamente da actividade marítima, vindo a falecer no Hospital de S.José, em Lisboa.

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu Almada

"ADORÁVEL ALMADA" de Augusto Santana D´Araújo é um livro de prosa rimada como o autor diz, impresso em 1959 e dedicado pelo autor ao Município de Almada.
Augusto Santana D´Araújo era natural de Almada. Esteve ausente durante onze anos em terras do Brasil e quando regressou a Almada trouxe manuscrita a prosa rimada que constitui este seu livro.
Sendo ele um "académico", transcrevemos a prosa rimada que dedicou no seu livro à sua Academia Almadense.

A MINHA «ACADEMIA» Academia! sabes que desde a infância, Eu e outros jovens, como os velhos precursores, Plêiade ardente, cheia de amor e constância, Pansámos renovar a obra dos Fundadores. Era juvenil e pobre, a nossa ajuda of 'recida, Cheia de amor e fé. - Com toda a assiduidade, A victória surgiu e, quando conseguida, O povo glorificou-te p' ra toda a eternidade. Bem merecia o teu passado os sacrifícios Da geração heróica que, alheia a artifícios, Sacrificou a vida, na obra sedutora. Teus fins educativos, ah! nunca mais param!... Adoram-te as crianças e os homens te amparam. Foi lindo o teu passado. O presente é luz da Aurora!

Pergunta: O que é hoje a Academia Almadense?

domingo, 15 de junho de 2008

Coisas de Almada e da Gente de Almada

Igreja do Pragal ou Ermida do Pragal, em 1948, sede da Paróquia de Cristo-Rei criada em 1976, 17 anos após a inauguração do Monumento e Santuário de Cristo-Rei, situada no Largo Armindo dos Santos, no Pragal, visível para todos que atravessam a Ponte sobre o Rio Tejo, na arriba à esquerda para quem se dirige para sul.
Actualmente o edifício encontra-se recuperado.
DECRETO DE ERECÇÃO DA PARÓQUIA
A comunidade cristã do Vicariato de Cristo Rei, da Vigararia de Almada, desta Diocese de Setúbal, pede para ser erecta a Paróquia do mesmo nome. Atendendo à grandeza da Paróquia de Santiago de Almada, da qual é principalmente formada e à capacidade de evangelização e testemunho de que deu provas no longo período experimental e esperando que, com a sua elevação a Paróquia, melhor e mais eficazmente possa prosseguir os seus objectivos, HAVEMOS POR BEM, pelo presente DECRETO e depois de ouvirmos o Presbitério da Diocese, o Corpo dos Consultores Diocesanos, bem como os Reverendos Párocos das Comunidades Cristãs confinantes, erigir a Paróquia de Cristo Rei, atribuindo-lhe como sede a Igreja de Nossa Senhora Mãe de Deus e dos Homens, situada no lugar do Pragal e nomeando o Rev. Padre Norberto Martins, da Companhia de Jesus, seu primeiro Pároco. À Paróquia são atribuídos os seguintes limites: Norte: Rio Tejo a partir do limites nascente da Paróquia do Monte de Caparica até encontrar uma linha prolongamento do muro poente da cerca do Seminário, contornando-a sempre até à Rua D. Leonor de Mascarenhas. Nascente: Rua D. Leonor de Mascarenhas até encontrar a Rua Capitão Leitão, que será seguida para poente, bem como a Rua dos Espatários, Rua D. João de Castro até encontrar a Rua Nuno Álvares Botelho que seguirá para sul até cruzar o limite norte da freguesia da Cova da Piedade. Sul: A partir do ponto do cruzamento atrás referido até ao limite nascente da freguesia do Monte de Caparica, seguindo o limite norte da freguesia da Cova da Piedade. Poente: Desde este ponto referido até ao Tejo, seguindo o limite nascente da freguesia do Monte de Caparica. Deste Decreto se dará conta ao Ex.mo Governador Civil do Distrito, ao Rev.mo Vigário da Vara, aos Rev. Párocos vizinhos da nova Paróquia e à Imprensa Diocesana.

Setúbal, 21 de Novembro — Festa de Cristo Rei de 1976.
Ass. + Manuel da Silva Martins, Bispo de Setúbal.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Coisas de Almada e da Gente de Almada

Capa de uma Publicação datada de Maio 1948, da Comissão Municipal de Turismo, onde se faz referências aos Planos de Urbanização de Almada e da Costa de Caparica e podemos ler esta página sobre
(clique na imagem para aumentar)

sábado, 10 de maio de 2008

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu Almada


Varino "LEALDADE", construção em Ribeira de Pardilhó, concelho de Estarreja, distrito de Aveiro em 27-6-1922.
Esta embarcação, de noventa e cinco toneladas, mandada construir pelos Srs Carlos Alberto Francisco Durão; José Severo Durão e Manuel da Costa Lavrador no Estaleiro de Francisco da Fonseca, foi destinada ao transporte de mercadorias diversas, no Rio Tejo, entre os navios e localidades nas margens do rio navegando até Vila Franca de Xira.
Estes senhores à data, já tinham quatro ou cinco embarcações no mesmo serviço.
Destes três sócios, o Sr. Manuel da Costa Lavrador cedeu a sua quota aos outros dois, tendo mais tarde o Sr. José Severo Durão também cedido a sua quota ao Sr. Carlos Alberto Francisco Durão.
Na foto com pessoal operário e outros, a segunda pessoa a contar da esquerda é o Sr. Carlos Alberto Francisco Durão.


O custo de contrução da embarcação foi de dezasseis mil escudos e incluía a colocação da mesma no Estaleiro da Mutela, freguesia de Almada.

A escritura do contrato para a construção foi feita no Cartório Notarial da vila de Almada, na Praça de Camões, em dezassete de Março de mil novecentos e vinte e dois.

sábado, 26 de abril de 2008

Gente de Almada, Gente Que Viveu e Vive Almada


1º de Maio de 1974 em Almada, na Praça da Renovação
Foi tempo de esperança numa Almada livre e democrática para os almadenses. Destes jovens de então, fotografados, infelizmente o primeiro na foto à direita, o Jorge Pinto, já não se encontra entre nós.

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu e Vive Almada

para aumentar e ler clique sobre o doc.
Preçário e Condições de Admissão para frequentar o Externato Frei Luís de Sousa - Secção Liceal - em Almada, em 1958.

sexta-feira, 28 de março de 2008

Gente de Almada, Gente Que Viveu e Vive Almada


Turma da Escola Primária de Almada, masculina, início dos anos 40 (1942-1943 ?) com todos alunos de bata branca. Certamente ainda se encontram entre nós alguns dos jovens de então, na foto com a sua Professora Maldonado que morava na Rua Capitão Leitão, por cima da antiga Barbearia do Artur. De salientar o elevado número de alunos (60) que esta professora tinha de "aturar". Cremos que era frequente na época as turmas serem grandes. Outras fotos que possuimos de turmas desta mesma Escola, exibem igualmente um número elevado de alunos.
A tarefa do professor não devia ser nada fácil apesar da disciplina que então existia nas escolas e do respeito dos alunos pelos professores.
Tempos de vida difícil e de muitas dificuldades económicas. Vivia-se a 2ª Guerra Mundial.

sábado, 22 de março de 2008

Coisas de Almada e da Gente de Almada

Cena de Cacilhas, no ex-Largo Costa Pinto, do início do Século passado, com várias vendedeiras, em aguarela de Alberto Sousa, falecido em 1961. Esta cena é no local correspondente à actual entrada, à direita, do posto da Guarda Nacional Repúblicana (Brigada Fiscal), com significativas diferenças relativamente ao presente. Localmente funcionava uma taberna como se vê.

domingo, 9 de março de 2008

Coisas de Almada e da Gente de Almada

clique sobre o doc. para aumentar e leitura
Programa da Visita a Almada de 26 de Abril a 3 de Maio de 1955 em Peregrinação pelas paróquias do Patriarcado da Veneranda Imagem de Nossa Senhora de Fátima.
Algumas designações toponímicas ou locais desapareceram após 1974 e com isso o apagar de um pouco da nossa memória e de uma parte do nosso passado vivido.
Provavelmente algumas pessoas não saibam mas a Praça Camões tem a designação actual de Largo Luís Camões ( porquê ?).
O Cardeal Patriarca à data desta Peregrinação era D.Manuel Cerejeira.
Que significado teria então e terá hoje "Conquista dos povos para Cristo"? Será o mesmo?
Note-se o cuidado da organização nesta visita/Peregrinação bem expresso em "AVISOS IMPORTANTES" na parte inferior do PROGRAMA.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada

 
Descarregadores de cortiça, trabalhadores da Fábrica H. Bucknall & Sons, no Caramujo, Cova da Piedade, na década de 1920.
Este pessoal residente no concelho, era oriundo de vários pontos do país, sendo alguns deles naturais da Beira interior. Deslocavam-se para a margem sul em busca de melhores condições de vida, deixando alguns, as mulheres e filhos na província, que por vezes, mais tarde, vinham juntar-se-lhes e aqui refaziam a vida.
Procuravam residir próximo do local de trabalho para poderem facilmente deslocar-se a pé a casa para almoçar (dispunham de uma hora), quando não levavam o "farnel" numa lancheira de madeira ou cesto de verga -principalmente os que tinham já a mulher junto a si.
Quando viviam sozinhos, era em casa alugada e em comunidade, fazendo uma refeição única que partilhavam de uma travessa ou alguidar de barro colocado no centro da mesa de onde cada um ia tirando com garfo directamente a comida.
Quando algum vinha isolado de modo geral ficava uns tempos a viver em casa de um conterrâneo que viera mais cedo e já conhecia o ambiente. Lá ficava até se aclimatar e entrosar no modo de vida menos rural que aquele de sua proveniência.
Alguns havia que não se adaptavam e regressavam mais cedo à sua terra.
De um modo geral algum do dinheiro amealhado era enviado para família e outro usado para comprar uma pequena propriedade, um pinhal ou um terreno de cultivo na "terra", a pensar num regresso mais tarde às origens.
Era gente trabalhadora que aqui granjeou amizades. Alguns ou seus descendentes prosperaram trabalhando arduamente, fazendo de Almada sua terra adoptiva.

Repare-se nestes pormenores na foto: todos os trabalhadores usavam bigode, todos que estão em primeiro plano estão descalços - assim trabalhavam - e a maioria tem sobre o ombro uma saca grossa, que era a sua "ferramenta de trabalho" - servia para interpor entre o corpo e o fardo de cortiça que transportavam sobre as costas.
À direita na foto, junto de uma balança segundo nos parece, vemos aquele que era o controlador do peso dos fardos de cortiça, trabalhador de uma categoria já superior e com outro uniforme.
Esta foto está integrada no livro "Almada na História da Indústria Corticeira e do Movimento Operário" (1860-1930) de Alexandre M. Flores. Ed. CMA 2003.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

Coisas de Almada e da Gente de Almada


O "Renovação" cumprindo uma das suas viagens no Rio Tejo.
O “Renovação”, propriedade da Sociedade Jerónimo Durão & Filhos Lda, entrou ao serviço da carreira entre as duas margens do Rio Tejo no trajecto Cacilhas - Terreiro do Paço, em 1958. Escreveu a imprensa da época que “ a entrada do barco ao serviço foi assinalada com uma soberba viagem inaugural realizada até à barra... para ver o pôr do sol digno da melhor marinha”. Os convidados “foram recebidos ao portaló pelo sócio gerente da empresa, Sr. Jerónimo Durão”, que lhes “mostrou todas as dependências do barco, incluindo a casa das máquinas”. Citando a mesma imprensa: «A Sociedade proprietária – Jerónimo Durão e Filhos, Lda – preza-se de apresentar um barco, que em verdade serve o público condignamente. Com efeito a amplidão do barco, a comodidade dos assentos, a potência dos motores, a limpeza das instalações higiénicas, a solidez da construção revelam a preocupação de bem servir, e colocam esta unidade muito acima das restantes em serviço. Aos convidados foi servido um esplêndido copo de água, fornecido pela Pastelaria Ferrand, Lisboa.» O "Renovação" tinha as seguintes características. - comprimento, 26 metros - boca, 6,96m - pontal, 2,50m - lotação, 430 passageiros - potência do motor 530h.p. - velocidade máxima, 12milhas/hora Este barco, juntamente com seu semelhante "Recordação", tinha na verdade dimensões, características e qualidades muito acima dos outros, que na época transportavam só passageiros, entre Cacilhas e Lisboa, proporcionando uma viagem muito mais agradável e confortável aos seus utilizadores. O “Renovação” navegou no Tejo até à sua substituição pelos actuais cacilheiros da "Transtejo", após a nacionalização deste serviço.
Depois disso o "Renovação foi para o Algarve e passou a transportar passageiros entre Olhão e as ilhas locais.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

Coisas de Almada e da Gente de Almada

Costa de Caparica, início dos anos 50 do Séc XX, Rua dos Pescadores, "o picadeiro", como era conhecida. Esta artéria da então "Praia do Sol" era muito concorrida no Verão e especialmente nos fins de semana, quer de dia quer à noite. À direita na foto vemos o edíficio do antigo Restaurante Floresta, e ao fundo à esquerda o edifício do "Papo-Seco", cuja esplanada se enchia nas tardes e noites de Verão. Tudo se acabou com a democracia e o pseudo desenvolvimento sustentado e retrógrado imposto por uma autarquia decrépita e decadente. A Costa de Caparica perdeu sua magia, sua atracção e encanto junto de almadenses e forasteiros e hoje apresenta-se miseravemente ao país e ao mundo com uma zona balnear desprezada por autoproclamados vanguardistas da Revolução de Abril.

sábado, 12 de janeiro de 2008

Coisas de Almada, Gente Que Viveu Almada

 
Anos 50 do Séc. XX, Largo Costa Pinto em Cacilhas, junto ao antigo Cais da Parceria (barcos grandes), onde existia um gradeamento. Sobressai o Farol imponente em fundo.

De notar o contraste entre o traje das pessoas nesta foto, homens de gravata, alguns de chapéu na cabeça e a moda (?) actual de vestir.
A foto foi tirada no Inverno ou pelo menos o tempo não estaria muito quente, porque o pessoal está prevenido com agasalhos.
Vê-se ainda na foto um militar do exército e a frente de uma viatura auto da época.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Coisas de Almada e da Gente de Almada


Praça da Renovação - Foto de 1954
No primeiro edifício à direita funcionavam os serviços do Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos (IANT). O Dr Henrique Barbeitos foi Director desta unidade de saúde até ser demitido das suas funções, devido às suas actividades políticas contra o regime então vigente.
Este serviço de saúde ainda funcionou durante alguns anos naquele local, onde posteriormente veio a ser construído o actual edifício da Caixa Geral de Depósitos.
Repare-se no "caminho" correspondente à Rua Luís Queiroz e na inexistência ainda de prédios neste local.
Vêem-se à esquerda os prédios onde hoje ainda funcionam os Correios e existiu a Radiolar - loja de electrodomésticos.
Nas traseiras do edifício do IANT foi construído o Externato Frei Luís de Sousa que viria a ser inaugurado em 8 de Outubro de 1956, coexistindo durante uns anos com o edifício do IANT.
Nesse mesmo terreno (do Frei) era montada a Feira Popular das Festas de Almada em honra de S. João Baptista.
Na foto, em primeiro plano, temos um jeep "Williys" do Exército Português. Este modelo de jeep de origem norte americana, foi concebido para ser utilizado na 2ª Guerra Mundial, tornando-se uma imagem da indústria norte americana.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Gente de Almada, Gente Que Viveu e Vive Almada

 
Cerimónia pública de lançamento da primeira pedra para um Pavilhão Gimnodesportivo do Ginásio Clube do Sul, no terreno entre a Rua Cruzado Liberche e a Rua Lourenço Pires de Távora, em Almada. No local não chegou a ser construído qualquer Pavilhão.
Vêem-se nesta foto em primeiro plano junto da mesa e da esquerda para a direita: Tenente Diogo (só após o seu destacamento de Almada foi promovido a Capitão), Comandante da Polícia de Segurança Pública de Almada; Sr. Carlos Alberto Pinto Durão, então Presidente da Direcção do Ginásio Clube do Sul e Dr. Glória Pacheco, Presidente da Câmara Municipal de Almada.
As quatro crianças à esquerda na foto pertenciam às classes de ginástica do Ginásio Clube do Sul.
Atrás, entre o Sr. Carlos Alberto Pinto Durão e o Dr. Glória Pacheco vê-se o então Chefe Manuel Simões, da Polícia de Segurança Pública de Almada.
O Dr. Glória Pacheco, antes de assumir a Presidência da Câmara Municipal de Almada, fora Conservador do Registo Civil de Almada.
A foto é da segunda metade da década de sessenta (1967-1968).

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada

 
 
Francisco António Daniel, o Daniel “BOLA NOVA”, popular figura durante décadas nas praias do centro da Vila da Costa de Caparica, nasceu na freguesia de Vila Nova de Tazem, concelho de Gouveia, Distrito da Guarda. Aos 16 anos chegou à Trafaria para trabalhar na Padaria do Sr. Miranda como padeiro, a convite de seu primo José Tiago, chefe do pessoal.
 Transferiu-se depois para a padaria do “Mano” na Costa de Caparica , tendo trabalhado ainda em Almada, dentro do mesmo ramo. Regressou à Costa de Caparica onde viria a casar aos 21 anos com uma caparicana de quem teve três filhos. De seguida lançou-se sozinho, com fabrico próprio, no negócio de padeiro e pasteleiro auxiliado por sua mulher. Fazia broa de milho, os pastéis caparicanos ( bolos com a forma de lagarto e de bonecos) e a Bola Nova, as suas deliciosas iguarias. Comprou uma casa, para desenvolver o negócio.

 Era na Rua Costa Pinto que tinha a sua fábrica. Vendia suas especialidades doces na praia, entre o antigo banheiro Estrela do Mar e o ainda actual Bexiga e, fazia também uma distribuição de bicicleta por tascas, principalmente no Inverno, desde a Costa de Caparica a Cacilhas, auxiliado algumas vezes por um dos filhos. Por volta dos 33 anos compra o seu primeiro carro, um Ford V8 e passa a nova fase do seu negócio. De manhã vende bolos na praia e à tarde trabalha com o táxi em Cacilhas onde também vende bolos que transporta no táxi. O Sr. Daniel não parava. A broa de milho era uma especialidade sua vendida a vinte centavos ($20). Tinha clientes certos: os Evandros, Mestre Adrião e Francisco José da Silva (Mestre Xico) entre outros.
Daniel “Bola Nova” era católico e muito exigente para com seus filhos nas relações sociais e profissionais.

Na época de praia, era aguardado todas as manhãs por adultos e crianças. Hoje, certamente quem frequentava a praia e tem mais de 25 anos, lembra com saudade aquele homem simpático, vestido de branco e boné na cabeça, o “Bola Nova”. Era a alegria da criançada com seu pregão e imagem de marca “lá vou eu”, em resposta aos apelos dos que solicitavam sua presença com o carrinho de mão, onde transportava os bolos pelo areal, sempre com grande perícia. Com aquele pregão dava a todos a certeza que ninguém ficava por atender.

 Em homenagem a esta figura simpática e símbolo da “praia da Costa” durante décadas, um Grupo de Pais criou numa Escola, alguns anos atrás, a Associação de Pais “ Bola Nova”, justificando desta forma a razão do nome: “Era uma vez, no tempo em que vossos pais eram crianças, um Senhor.... Um Senhor vestido de branco, que tinha um carrinho branco com letras vermelhas e que vendia uns bolos que eram uma delícia. Com seu pregão de “lá vou eu” chamava pelas crianças, que lutavam para chegar em primeiro lugar junto dele, para comer aquelas “Bolas Novas “ que faziam a alegria das crianças. Por isso, nós, os vossos pais, com o nome da nossa Associação, tentamos homenagear alguém que tão conhecido foi (e é), na nossa terra, o Sr. Daniel dos Bolos, mais conhecido pelo «BOLA NOVA» ”. Terminou a venda de bolos aos 89-90 anos. Figura popular na Costa de Caparica e no concelho de Almada, era reconhecido em todo lado. «Lá vai o Daniel “Bola Nova”» diziam, «Lá vou eu» dizia ele.
 
Foi um apaixonado pelo ciclismo, como amador. Tinha também uma grande paixão pelo seu último táxi, um Mercedes 220, que só deixou de conduzir 5-6 meses antes de falecer. Impossibilitado de o conduzir sentava-se frequentemente ao volante.

 A Junta de Freguesia da Costa de Caparica e o concelho de Almada não podem esquecer esta simpática pessoa que foi figura popular e rosto das praias da então Vila da Costa de Caparica, durante décadas. DANIEL “BOLA NOVA” está de forma indelével associado à terra que ele tão bem conheceu e palmilhou vezes sem conta. É acto de justiça para com a terra e suas gentes e uma mais valia para a cidade atribuir seu nome a uma artéria da Costa de Caparica : a Rua Francisco António Daniel ( DANIEL “BOLA NOVA”).

 Faleceu em Dezembro de 2001, com 91 anos. Está sepultado no Cemitério da Costa de Caparica.

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada

Victor Ferreira, Poeta, foi um jovem que no final dos anos sessenta e na década de setenta vivia em Almada frequentando com os amigos ligados às letras e às artes e, outros, os cafés habituais: o Central e o Repuxo. Deixou Almada, dizem-nos, para regressar a sua terra natal. Não sabemos onde reside actualmente. Estamos a procurar junto de quem com ele conviveu mais perto, saber seu paradeiro para acrescentar mais alguns elementos a este post. Possuímos dois pequenos livros de poemas dele. Um, tem o simples nome "Poemas" Ed. 24-11-75, o outro "Trilho" Ed. 16-12-76. Aqui deixamos um poema de cada um, respectivamente:

quando quiseres rir - ri
quando quiseres
chorar - chora
não és
um verdadeiro homem?

nasci com o sonho de mil ícaros
não tenho tempo nem pátria
apenas herdei
esta febre de voar

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Gente de Almada, Gente Que Vive Almada

Carlos Soares, Escultor, residente no concelho de Almada, nasceu em Lisboa em 1944. Foi durante a sua adolescência, que se iniciou junto de seu pai no restauro de arte sacra. Entretanto frequentou a Escola de Artes Decorativas de António Arroio.
Em 1970 realizou uma viagem de estudo pela Europa.
Durante muitos anos foi integrante de uma Tertúlia de Amigos frequentadores do Café Central e da Pastelaria Repuxo.
Residindo em Almada tem actualmente o seu atelier em Lisboa, sendo possível encontrá-lo, no barco pela manhã , atravessando o Tejo para se dirigir ao seu local de trabalho.
Encontra-se referenciado em "Portuguese 20th Century Artists" de Michael Tannock e "Homens e Mulheres Vinculados às Terras de Almada" de Romeu Correia.
Participou em numerosas Exposições Individuais e Colectivas entre as quais: Academia Almadense (1969); XV Salão da Primavera, Costa do Sol (1970); Exposição de Artes Plásticas, Almada (1970); Circulo Cultural Luso-Espanhol (1970); Galeria de Arte "O País" (1980); Exposição de Verão, Sesimbra (1980); Salão Convívio SNAB (1980); Viva, Almada (1982); Imargem 82 Associação dos Artistas Plásticos do Concelho de Almada (1982); Largos Horizontes-Sociedade Nacional de Belas Artes (1984); Galeria "Diário de Notícias" (1985). (a completar)
Prémio Instituto Español de Lisboa
Troféu Circulo Cultural Luso-Espanhol
Carlos Soares hoje não é o jovem que vemos na foto, mas continua a ser aquilo que sempre foi, o artista interessado nos seus trabalhos, distanciando-se de facilidades e de mexericos para se empenhar e dar formas à sua criatividade, para ser o homem livre e criativo que sempre gostou de ser.

sexta-feira, 10 de agosto de 2007

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu e Vive Almada

O Externato Frei Luís de Sousa, “O Frei” para os alunos, situado na Praça do MFA (Praça da Renovação) é em Almada uma referência e um símbolo da cidade. “O Externato Frei Luís de Sousa, construído, propositadamente, pelo Patriarcado de Lisboa, segundo os métodos da moderna pedagogia, está empenhado em ser o melhor colaborador dos pais na instrução e educação de seus filhos. Aqui encontram os alunos do Ensino Primário e Liceal ambiente propício a esta finalidade.

Neste Estabelecimento de Ensino, procura dar-se aos educandos a cultura necessária correspondente às exigências dos programas oficiais e ainda aquela formação de carácter que os levará a desempenhar, com dignidade, a função social que lhes está reservada na vida. Sendo as virtudes humanas o fundamento das virtudes cristãs, pretende o Externato proporcionar aos alunos um ambiente de verdade e sã alegria.” (do folheto editado pelo Externato, no seu início, com as Condições de Admissão e Preçário).

 “O Frei” actualmente pertence à Diocese de Setúbal, estando construído no local onde se realizou durante alguns anos a Feira de Diversões, por altura das Festas da então Vila de Almada, em honra de S. João Baptista, seu Padroeiro.
O Externato Frei Luís de Sousa tem sido ao longo dos anos local de passagem, de encontro e de partida de muitos jovens que aí iniciaram os estudos, uns pela primária, outros o secundário que lhes deu acesso a estudos superiores. Para lá do ensino em horário diurno, o Externato Frei Luís de Sousa iniciou no final dos anos 60, o ensino liceal nocturno destinado a adultos, cujo êxito se deve ao Director desse Curso, Dr Caldeira Pais, seu iniciador e dinamizador.

Com um corpo docente de qualidade, da primária ao liceu, o Externato Frei Luís de Sousa iniciou a sua actividade em 8 de Outubro de 1956 sob a Direcção do Padre João Cabeçadas, substituído anos mais tarde pelo Cónego Gonçalves Pedro, também Reitor do Seminário de Almada. De entre os Directores recordamos ainda o Padre Jaime, posteriormente Pároco de Almada e o Padre Brito.

 Do corpo docente recordamos aqui alguns elementos que leccionaram no “Frei”: Pe Albino Cleto, actual Bispo de Coimbra (Latim), Dr. António Lobo (História), Profª. Bibiana (Ensino Primário), Dr. Calado (Inglês), Dr. Caldeira Pais (História e Filosofia), Monsieur Etienne Pourtallés (Francês), Prof. Francisco D´Orey (Música), Dr. Francisco Santana (História), Dr. Francisco Taborda (Geografia), Prof. João Afonso (Música), Dr. João Moita (Grego e Latim), Ten. Jonet (Educação Física), Pe Louro (Música e Religião e Moral), Dr. Manuel Formiga (Matemática), Dr. Marcelino Horta (Ciências Naturais e Biologia), Drª Maria Alice ( Português e Francês), Drª Maria da Graça (Matemática), Drª Maria Leonor (Físico-Quimica), Dr. Mário Fernandes (História), Prof. Oleiro (Ensino Primário) Prof. Sequeira (Educação Física), Prof. Silva Marques (Educação Física), Pe Sobral (Religião e Moral), Drª Teresa Dingle (Desenho), Diácono Dr. Viana da Costa (Filosofia).
 Dos funcionários temos presente: Srª Carminda (Contínua), Sr. Caldeira (Porteiro), Sr. David (Porteiro), Sr. João António (Contínuo, posteriormente funcionário da Secretaria), Srª Margarida (Contínua) Sr. Mário Filipe (Contínuo, posteriormente Chefe da Secretaria), Sr. Muller ( O primeiro Porteiro do “Frei”), Sr. Possidónio José (Contínuo, posteriormente Chefe da Secretaria), Sr. Teixeira (Contínuo), Sr. Vitorino (O primeiro Chefe da Secretaria). 
O Externato Frei Luís de Sousa dispunha ainda no seu início de uma Equipa Clínica formada pelo Dr. Catarino e sua Esposa também médica. Viemos a encontrar o Dr. Catarino anos mais tarde num hospital, onde exercia a especialidade de Anestesista.



O Dr. Viana da Costa foi um verdadeiro mestre nas aulas, com um relacionamento inovador para a época com os alunos, dentro e fora da sala de aulas, incentivando-os a enriquecerem os seus conhecimentos culturais na área das ciências humanas. Os alunos cognominaram-no de “O Ginjas”. Sabendo que assim era referido pelos alunos, nunca revelou relutância ou manifestou qualquer animosidade por isso. Hoje todos seus alunos se recordam de “ O Ginjas” com a satisfação de o terem tido como mestre e amigo.
O Cardeal Manuel Cerejeira, então Patriarca de Lisboa, visitou "O Frei" algumas vezes.
O Externato Frei Luís de Sousa, mediante protocolo, deu ainda preparação em curso nocturno, durante alguns anos a pessoal da Marinha Portuguesa (Sargentos e Praças) do Pré-CFOSE, a qual tinha por objectivo habilitar aqueles militares a concorrerem ao CFOSE - Curso de Formação de Oficiais do Serviço Especial.
O autor desta resenha fez o Curso Liceal no “Frei”, tendo posteriormente também leccionado aí, no Curso Nocturno.

sexta-feira, 13 de julho de 2007

Gente de Almada, Gente Que Vive Almada

Carlos Peixoto da Silva Sameiro, nasceu em Aveiro, a 20 de Agosto de 1910, vive em Almada. É viúvo, a esposa faleceu há 3 anos, tem uma filha com quem vive.
Carlos Sameiro foi o penúltimo Faroleiro do Farol de Cacilhas. Seu pai também foi Faroleiro.
Começou a trabalhar aos 12 anos como aprendiz de serralheiro. Saíu de Aveiro aos 3 anos de idade e voltou à sua terra natal só aos 17 anos, onde permaneceu um ano.
Tirou o primeiro Curso de Faroleiro em Leça da Palmeira (Matosinhos), tendo entrado para o Serviço de Faróis aos 18 anos, como Faroleiro supranumerário, em S. Martinho do Porto. Fez o 2º Curso - Complementar de Faroleiro Chefe, também em Leça da Palmeira aos 51 anos.
O exercício da profissão que abraçou, levaram-no a uma vida de nómada ao longo da costa portuguesa.
Para além de S. Martinho do Porto, prestou serviço em outros faróis:
Cabo de S. Vicente (2 vezes), Sagres (2), Alfanzina- Praia do Carvoeiro/Lagoa (1), Vila Real de S. António (1), S. Julião da Barra (2), Cabo Espichel (2), Cabo Raso (1) Aveiro (1) e Cacilhas onde esteve três vezes: 1936, como faroleiro de 3ª classe, depois nos anos 40 (faroleiro de 1ª classe) e pela terceira e última vez no exercício da sua profissão, como Faroleiro Chefe, de onde saíu para a reforma em 1972.
Quando prestou serviço no Farol de Cacilhas, residiu na Casa do Faroleiro, situada na Rua Cândido dos Reis, nº 3, em Cacilhas.
De todos faróis onde prestou serviço, foi o de Cacilhas pela sua localização e vivência local que mais o atraíu e mais gostou.
Por onde passou, paralelamente à sua actividade profissional, dedicava-se ao conserto de relógios, a pedido dos amigos e conhecidos.
Após a reforma, ficou a viver em Almada onde o podemos encontrar, por vezes, pelo final das manhãs e fins de tarde, na Praça do MFA (ex-Praça da Renovação) em cavaqueira com seus amigos mais jovens.
Ao Sr. Carlos Sameiro, cidadão ligado à vida de Almada e dos cacilhenses, após esta breve e simples resenha da sua vida, desejamos-lhe saúde para comemorar o seu centenário e prolongar o convívio com seus amigos e conhecidos desta cidade, que escolheu para residir.

sexta-feira, 6 de julho de 2007

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada

Arménio Reis era natural de Almada, nasceu em Cacilhas a 13 de Julho de 1934. Cidadão de grande talento artístico, começou na sua meninice a trabalhar em ourivesaria. Mais tarde dedicou-se à pintura e foi como aguarelista que também nos deixou excelentes trabalhos. Para lá da pintura, Arménio Reis revelou os dotes criativos das suas qualidades inatas, na decoração, cenografia, grafismo e na poesia que dedicava espontaneamente aos amigos. Participou com seus trabalhos em várias exposições em Portugal e além fronteiras. Os seus trabalhos encontram-se espalhados pelo Mundo.
Arménio Reis era uma pessoa com ideias e vivência próprias, que não esquecia as dificuldades económicas e as carências que ele e seus pais tinham passado e sempre soube retribuir o reconhecimento a quem tinha ajudado os seus a ultrapassar alguns momentos menos felizes.
Arménio Reis, na década de 90, era figura presente pelas manhãs e tardes à mesa de Café na Praça da Renovação, (Praça MFA), com muitos de seus amigos entre os quais: Francisco Bastos, Jaime Feio, Carlos Durão, João Samorrinha, Miguel Cantinho, Henrique Mota e Fernando Coelho. Os momentos vividos com ele foram sempre ocasião para períodos de boa disposição e normalmente era nesses momentos que Arménio Reis rascunhava num qualquer papel, às vezes na toalha de papel da mesa ou num guardanapo, umas quadras dedicadas a um dos presentes, assim como em ocasiões, rascunhava qualquer coisa que não era uma coisa qualquer. Até num prato de servir bolos no café, o Arménio Reis fazia pintura de improviso que oferecia à empregada.
Pessoa humilde, Arménio Reis tinha um carinho especial por um companheiro de tertúlia também pessoa boa, João Samorrinha, de mais idade, mas baixinho. Quando o via chegar tinha sempre uma tirada que fazia rir o pessoal, entre elas esta: “Fui levar o puto à escola de manhã e ele já aqui está. Fugiste?” Numa das vezes em que de improviso o Arménio Reis escreveu umas quadras, estas dedicadas ao seu amigo Francisco Bastos, estavamos presente e aqui as reproduzimos.

Ainda me lembro bem
Quando te via correr
Corrias como ninguém
Até dava gosto ver 

De passada forte e larga
Corre o leão sob o peito
Da memória não se apaga
Da massa que eras feito 

Não gosto de te ver triste
Que me aperta o coração
O que foste e o que viste
Nem pareces um leão. 

Arménio Reis faleceu, um tanto ou quanto inesperadamente porque inicialmente nada fazia prever esse desenlace, em 5 de Fevereiro de 1997, após um período de internamento no Hospital Garcia de Orta, em Almada, onde ainda o visitámos por duas vezes.

sábado, 23 de junho de 2007

Coisas de Almada e de Gente que Viveu Almada

NOTÍCIAS DA ÚLTIMA HORA

"A ´ESTRÊLA DO GINJAL, Lda.,´ (a afamada Casa das Conchas) no Ginjal, nºs 18, 19, e 20 de Albino Pereira & José Rodrigues do Vale (O Zé da Avó), que tem o telefone Almada 111, depois de concluída a primeira parte das formidáveis obras porque vai passar para confôrto e comodidade dos seus já inúmeros clientes, tem a honra de ofertar a V. Exªs. os Versos que se seguem, os quais foram oferecidos por um dos melhores fregueses da casa, e que achamos dignos de publicação:"
(clique na imagem para aumentar)
Este curioso folheto,uma relíquia, refere-se a uma CASA de COMIDAS, afamada no Ginjal, em Cacilhas nos anos 40, que fazia daquele local uma atracção gastronómica, onde o charroco e as eiroses faziam a gala da comida desta Casa.
Leiam-se os versos do folheto de "marketing" para a época.
Por informação de um ilustre cacilhense, soubemos que esta casa era propriedade dos pais da antiga cantora nacional Madalena Iglésias, sendo a mãe Espanhola referida nos versos e o pai português, o Sr. José Rodrigues do Vale (O Zé da Avó).
Ainda segundo a informação que tivemos, quando acabou a "Estrêla do Ginjal" após a saída do Sr. José Rodrigues do Vale, a Casa perdeu as conchas e foi aí instalada a primeira Fábrica da Martini em Portugal - produtora da bebida martini, pela Casa Teotónio Pereira, que possuia também outras instalações comerciais no Ginjal.
A penúltima quadra impercepível no final, na imagem, tem a redacção:
"De facto é no Ginjal
Mesmo que igual se pinte
A Casa a quem ninguém faz mal
Tem os nºs 18, 19 e 20"

sábado, 16 de junho de 2007

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada


Campeã Nacional de Atletismo
Almerinda Correia nasceu em Sesimbra a 9 de Março de 1920. casou com Romeu Correia em 31 de Outubro de 1942. ano em que começou a praticar atletismo. Representou o União Sport Clube Almadense e, após a fusão deste com o Pedreirense Futebol Clube, passou a fazer parte do Almada Atlético Clube. De 1942 a 1949 conquistou cinco campeonatos de Portugal e seis de Lisboa.
Onze segundos lugares e dezasseis terceiros.
Praticando corridas, saltos e lançamentos, só nestes últimos foi vencedora (peso, disco e dardo).
O casal teve uma filha, Julieta Rosa e dois netos, João Vasco e Ana Margarida.
Como curiosidade desportiva, podemos acrescentar que Almerinda foi a primeira atleta a representar o Almada Atlético Clube, fundado em 20 de Julho de 1944. No dia seguinte, costurou o equipamento e como vencedora do campeonato de Portugal por clube que ainda não tinha bandeira, fez subir a camisola no mastro de honra do Estádio Nacional em Lisboa.
Romeu Correia

domingo, 3 de junho de 2007

Gente de Almada, Gente Que Viveu e Vive Almada


Foto do passeio de 1950 da Firma José Pinto Gonçalves Lda
(para aumentar clique sobre a foto)
José Pinto Gonçalves foi proprietário de um Armazém de Géneros Alimentícios (Mercearia) em Almada, desde finais do Séc. XIX até 1956. Natural de Vila Cova do Alva, concelho de Arganil, onde nasceu a 15 de Novembro de 1871, faleceu em Almada, em 1956 com 84 anos.
José Pinto Gonçalves veio para Lisboa aos 17 anos para trabalhar na construção civil, tendo conseguido o seu primeiro emprego na construção do Liceu Passos Manuel, como ferramenteiro, porque sabia ler e escrever. Este homem, beirão de nascimento, mas almadense por opção para trabalhar e governar a vida, foi um verdadeiro empreendedor para a época, final do Séc XIX.
Em Lisboa e de sociedade com Joaquim Mendes, natural de Pomares, Arganil, alugou um quiosque no Cais do Sodré e aí montaram um negócio. Deixou depois a sociedade do quiosque e resolveu atravessar o Tejo para se radicar em Cacilhas, onde viria a abrir a Mercearia Beira Alta, na Rua Cândido dos Reis, junto ao antigo chafariz.
Casou com Maria Laura Pinto. Como a esposa tinha conhecimentos de tecidos, vislumbrou diversificar o negócio, passando a vender fazendas e tecidos na mercearia. O casal teve três filhos: Maria Sara, Maria de Lourdes e José Carlos Pinto Gonçalves, o mais novo dos três filhos. Quando do nascimento do primeiro filho do casal, a esposa passa a dedicar-se às tarefas domésticas para acompanhar de perto os filhos e a mercearia deixou de vender fazendas e tecidos. José Pinto Gonçalves não se resignou com a diminuição da actividade. Decidiu incrementar o negócio, desenvolvendo a mercearia fez um autêntico “up-grade” para a época, transformando-a no Armazém de Mercearias José Pinto Gonçalves, no mesmo local, tendo para o efeito comprado uma garagem nas traseiras da mercearia. Mais tarde, deu sociedade no armazém a seu sobrinho António Leal Pinto, também de Vila Cova do Alva, passando a firma a designar-se José Pinto Gonçalves Lda.
Em 1 de Agosto de 1950, acompanhando o crescimento de Almada, o armazém foi transferido para a Av. D. Afonso Henriques nº 15, em Almada (local do actual “Baratão”). A criatividade e o dinamismo de José Pinto Gonçalves, associados ao seu espirito solidário fizeram com que expandisse a sua actividade, quer isoladamente, quer em sociedades. Em frente ao seu armazém em Cacilhas instalou um posto de venda de gasolina.
Estabeleceu um armazém de vinhos no prédio onde funcionou o reconhecido Restaurante Floresta do Ginjal em Cacilhas, e uma Fábrica de Refrigerantes na Av. António José Gomes, na Cova da Piedade, onde também possuía uma mercearia e uma cavalariça. Em Almada, na Boca do Vento, em frente ao antigo edifício da Repartição de Finanças, foi proprietário de uma mercearia em sociedade com José Leal Pinto, também seu sobrinho. 
A firma José Pinto Gonçalves Lda, empregava cerca de 50 pessoas, contando para apoio logístico ao seu empreendimento e negócio, 5 viaturas auto de carga, uma galera, uma carroça, um veículo especial de tracção animal designado por “Diabo” para carregar e descarregar cascos de vinho e ainda viaturas auto ligeiras para os seus caixeiros viajantes.
Anualmente, José Pinto Gonçalves organizava um passeio pelo País para o seu pessoal, sendo a foto acima exibida referente ao passeio de 1950, captada junto à barragem de Castelo de Bode. José Pinto Gonçalves, de cabelo branco, está nesta foto ao centro, envergando fato preto, tendo à sua esquerda seu filho o Dr. José Carlos Pinto Gonçalves.
O Dr. José Carlos Pinto Gonçalves, Licenciado em Direito, tinha escritório de Advocacia na R. do Crucifixo nº 28 - 2º em Lisboa, foi preso pela polícia política por integrar a Comissão de Homenagem ao Prof. Egas Moniz, da qual faziam parte o Prof. Rodrigues Lapa, Prof. Rui Luís Gomes, Engª Virgínia de Moura e a Escritora Maria Lamas, também eles presos então.
Tivemos a oportunidade de conhecer pessoalmente o Sr José Pinto Gonçalves entre 1953-1955. Agradecemos ao neto do Sr. José Pinto Gonçalves, o Sr. Carlos Alberto Pinto Durão, na foto em primeiro plano, de camisa branca, à esquerda do senhor que tem o chapéu na mão, a colaboração que nos deu na elaboração destes breves apontamentos.

sábado, 12 de maio de 2007

Gente de Almada, Gente Que Vive Almada

FOTO 1º MAIO 1974 – Pragal - ALMADA
Da esquerda para a direita : em pé – Alfredo; [ ? ]; Luís (Meia-Cuca) sentados – Jorge Crisóstomo (Jorge BéBé); Costa; Jorge Maçaroca; Neca; Mário Carvalho; José Luís (Cheta dos Perfumes); Jara O 11º elemento do grupo,(improvisado fotógrafo) não consta da foto ,como é natural. Os mais jovens da foto eram crianças, hoje adultos, certamente do Pragal.
Em 1 de Maio de 1974, um grupo de 11 jovens (naquela data) almadenses, pretendiam comemorar a Revolução de Abril de 1974 em convívio à volta de uma mesa onde pudessem comer alguns petiscos e beber umas imperiais. Encontravam-se na Praça da Renovação, junto ao seu ponto de encontro e convívio habitual, o Café Central.
Naquele primeiro 1º de Maio, após o 25 de Abril, tudo estava encerrado. Era um autêntico marasmo, em que as pessoas se arrastavam pelas ruas, de lojas e estabelecimentos comerciais encerrados, incluindo cafés e restaurantes. Depois de uma Revolução que devolveu as liberdades fundamentais à população, era triste ver as ruas sem a dinâmica a que estávamos habituados.
O proprietário de qualquer Café ou Restaurante que tivesse a veleidade de ter abertas as suas portas nesse dia em lugar visível, era apelidado de fascista, reaccionário, contra-revolucionário, explorador da classe operária ou saudosista do anterior regime. Assim, que esses jovens se tivessem questionado entre si onde seria possível quebrar aquele marasmo do dia.
 Alguém alvitrou que o Restaurante "GINA" no Pragal, junto da Cooperativa, estaria aberto. Rumámos até lá e de facto era verdade. Comeram-se uns petiscos: febras de porco, queijos, chouriço assado, umas fatias de presunto com pão caseiro e tremoços, tudo acompanhado de bebidas, vinho tinto para uns, imperial para outros e ainda água e refrigerantes. Cantou-se durante a petisqueira e, aqui, aconteceu que os donos do Restaurante pediram à malta que cantasse baixinho devido a não incomodar a vizinhança, pois poderia algum vizinho ou alguém sentir-se mal com o ruído e denunciar o Restaurante junto das forças vigilantes do MFA, ou de forças de esquerda "progressistas", dado aquele 1º de Maio ser Dia do Trabalhador e o Restaurante ter pessoas, os donos, a trabalhar voluntariamente. Coisas de então...daquele tempo em que tudo e todos tinham algum medo... outros medos... de vanguardistas ou auto-intitulados vanguardistas/vigilantes da Revolução, enfim de serem denunciados...
Tudo correu bem e não houve excessos de bebida. Saímos e fez-se a foto, para a posteridade junto do restaurante.
Hoje, felizmente já se ultrapassaram alguns preconceitos de então e a comemoração do 1º de Maio é feita com liberdade, sem medos e sem perseguições.
Ainda se encontra por Almada a maior parte destes convivas.