Na imagem de capa deste 45 rotações de Vitorino ( seu primeiro disco ?) de 1975, à esquerda temos José Brito, o "velho Brito", como o conhecíamos.
Anarquista, residente em Lisboa, era visita e cliente do antigo Café Central, ex-libris de Almada, local de encontro de gerações e personalidades ligadas às artes, letras, política e à cultura, em Almada (dizemo-lo sem hesitação), situado na Praça da Renovação, onde muitos estudantes "tiraram os cursos".
Conhecemos o "velho Brito" em interessantes tertúlias e encontros no Central, após Abril de 1974, - onde aparecia com frequência ao fim da manhã - com os anarquistas almadenses José Correia Pires, Jaime Feio, Quaresma e Sebastião e jovens "candidatos" a anarquistas, entre outros .
O "velho Brito" sabia ouvir. Defendendo sempre ideais libertários e humanistas era pessoa simpática, irreverente muitas vezes, apaixonado pelo ideal anarquista, cativava com simpatia a presença dos mais novos, a quem surpreendia com suas dissertações e respostas a questões políticas e sociais que lhe colocavam.
Excelentes conversas construtivas escutámos deste cidadão de boina anarquista, crescidos cabelos brancos e sempre com sua pasta preta debaixo do braço, da qual retirava publicações "anarcas", algumas por ele editadas através da sua editora "ACRATA", que distribuía a amigos.
O "velho Brito" pessoa afável e bom conversador, possuía uma grande e excelente biblioteca. Um Jornal vespertino da capital dedicou-lhe, em vida, uma reportagem realizada em sua casa situada num dos bairros antigos da capital - a Bica.
Colaborou em Almada na edição da irreverente publicação anarquista "Merda", da qual só saíram três números.