domingo, 7 de abril de 2013

Gente de Almada, Gente Que Vive Almada

O Sr. Carlos Alberto Pinto Durão, almadense de raiz, embora tenha nascido em Lisboa (os pais viviam em Cacilhas), com os seus 83 anos é um cidadão que viveu e vive Almada,  falando-nos com  naturalidade rara de muitos aspectos, acontecimentos e conhecimentos do  seu passado vivido nesta terra e de gentes que aqui residiram, viveram, trabalharam e contribuiram para o crescimento e desenvolvimento da sua terra.
Os anos vividos, os acontecimentos passados, as relações pessoais e amizades que cultivou e o seu conhecimento de muitas das vivências, estão  presentes em si de tão viva memória que, quando se conversa com  o Sr. Carlos Durão aprende-se sempre algo mais  de Almada, que nunca encontraríamos nas páginas de um livro.
Iniciou a actividade laboral, quando tinha 17 anos, trabalhando com o avô materno, o Sr. José Pinto Gonçalves na empresa deste, José Pinto Gonçalves Lda, -  Armazém de Mercearias, Cereais, Legumes, Azeites e Vinhos e também agente dos cimentos Secil e distribuidor da Central de Cervejas - armazém cujas últimas instalações, foram na Av. D. Afonso Henriques nº 15 em Almada, desde Agosto de 1950 até ao encerramento em 1975.
Após a morte do avô, em 10 de Outubro de 1956, assumiu a gerência da empresa até 1961. Sai, ficando  na firma unicamente como sócio, continuando  todavia a assegurar  a representação da Unicervi, Lda. - Comércio e Representações, Lda.
No início da década de 60 adquire com a esposa as quotas da firma Mendes e Pinto, Lda, em Cacilhas, loja de comes e bebes, de que seu avô era sócio e abre depois aí a Cervejaria Farol, casa sobejamente conhecida e movimentada que mantém até 18 de Dezembro de 1974, vendendo então as quotas. Esta cervejaria que granjeou notoriedade desde seus primórdios, ainda existe no local, sendo uma casa de referência, no género, em Cacilhas.
Em Janeiro de 1975 ocupa-se em exclusivo como gerente da Unicervi, Lda,  com sede em Palmela,  situação que mantém até  aos 65 anos de idade, quando se reforma.
Paralelamente  à actividade   profissional e comercial dedicou-se e dedica-se ainda a actividades sócio-comunitárias. Foi mesário da Santa Casa da Misericórdia de Almada, elemento dos corpos directivos do Ginásio Clube do Sul durante 10 anos, do qual é sócio há mais de 67 anos,  da Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada - SCALA, de que é presentemente membro do Conselho Fiscal, depois de ter sido Tesoureiro durante alguns anos.
É sócio fundador  da Associação de Cidadania de Cacilhas - O Farol.
 
O avô paterno do Sr. Carlos Durão,  Jerónimo Rodrigues Durão, dono de várias embarcações no rio Tejo esteve ligado a actividades de transporte de mercadorias entre navios ancorados no rio e  margens e, de passageiros entre as duas margens do Tejo. Os cacilheiros "Renovação", "Recordação",  "Nacional"  e "Renascer" eram propriedade da famíla Durão (Jerónimo Durão & Filhos, Lda e depois,  Jerónimo Rodrigues Durão, Herd., Lda).
 
É frequente encontrarmos o Sr. Carlos Durão na Praça da Renovação em tertúlia de amigos, onde anos atrás também pontificavam: António Calado, Arménio Reis, Fernando Coelho, Francisco Bastos, Henrique Mota, Jaime Feio, Ludgero Braz, Manuel Machaqueiro e Miguel Cantinho, entre outros.
 
Cidadão  respeitado por todos, de raras qualidades pessoais e humanas, de relações cordiais, grande conhecedor de Almada e do concelho, aberto ao diálogo, tem dado um contributo valioso através do seu trabalho, conhecimentos e dedicação, para a dignificação de Almada e registo histórico de ocorrências, episódios, pessoas e vida da sua terra.


A fotografia é de Luís Filipe Bayó Veiga, a quem agradecemos a colaboração.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Coisas de Almada e da Gente Que Viveu e Vive Almada

A Praça da Renovação na segunda metade dos anos 50 do séc. XX, já com o acesso ao Externato Frei Luís de Sousa construído (à direita na foto).
À esquerda vemos um autocarro provavelmente parado, na paragem então aí existente, frente ao local onde existiu  "A Calhandra"- cervejaria, snack-bar, mariscos.
No centro da rotunda está um candeeiro alto de iluminação pública, que substituiu o poste de madeira inicialmente aí colocado que servia de suporte a fios. Havia quem designasse este candeeiro por "pimenteiro".
Ainda à direita na foto vê-se parcialmente a esplanada do Café Central, inaugurado em Junho de 1956 e por cima da esplanada é visível o anúncio da Escola de Condução " A Automobilista Almadense".
Também é possível visionar na foto à direita, no passeio, o marco cilíndrico  do correio que durante muitos anos aí existiu, onde os almadenses habitualmente colocavam a correspondência a ser expedidas. Havia várias tiragens ao longo do dia.
Nesta foto, o oculista Manolo, (actualmente Foto-Óptica Ore, Lda) já tem o anúncio exterior luminoso "OCULISTA" com o esquema  de uns óculos ao lado.
Como curiosidade, repare-se que ainda não havia candeeiros de iluminação pública em redor da Praça.

domingo, 24 de março de 2013

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu e Vive Almada

 
Anúncio de 1959 da Casa de Saúde  "Dr. António Resende Elvas" na Cova da Piedade, dirigida por seu filho Dr. Augusto Cura Resende Elvas a partir de final de Setembro de 1951.
A Clínica do Dr. António Resende Elvas  foi construída em 1935, não tinha este aspecto exterior, era de menores dimensões e área. Seu filho, que sucedeu ao pai na direcção da clínica, remodelou-a profundamente em 1955, ficando com a fachada que a imagem mostra.
Foi clínica médica  com bloco operatório e enfermarias, referência para cuidados de saúde à época.
Em finais de 1986 o Dr. Augusto Cura Resende Elvas arrendou o edifício a uma sociedade de médicos que  fizeram grandes obras e passou a designar-se Hospital Particular de Almada.
O Dr. António Elvas não era natural de Almada mas desde muito cedo, anos 20, radicou-se no concelho  abrindo consultório na Rua Capitão Leitão, a "Rua Direita", em Almada.
O Dr. António Resende Elvas faleceu em 21 de Julho de 1975 com 83 anos.

domingo, 17 de março de 2013

Coisas de Gente Que Viveu e de Gente Que Vive Almada

"Selos" de apoio e ajuda aos presos políticos antes de 1974. Certamente há por aí muito antifascista oportunista, do pronto a vestir político do pós 25 Abril 1974, que diz  ter sido sempre de esquerda, se arroga do direito de insultar e ofender quem não é do partido, mas nunca soube o que era isto.
Estes "selos", têm  história de uma consulta de estomatologia, em 1969, com o Dr. José Malheiro da Silva, em que um jovem necessitando  de tratar um dente, se dirige ao consultório deste distinto médico e quando ele observa o  dente em causa e os restantes, diz, que para além desse a necessitar tratamento urgente (desvitalizado), há mais quatro cariados.
Diante do quadro clínico o paciente, jovem estudante um pouco assustado com a factura/despesa, fazendo conta ao rombo no orçamento familiar, pergunta: doutor, em quanto importa o tratamento dos cinco dentes?
O médico diz: como  é estudante só lhe cobro 500$00 (quinhentos escudos), mas atenção, esse dinheiro não é para mim, é para apoio aos presos políticos e, dou-lhe o comprovativo do seu contributo.
Resposta do jovem: pode tratar os dentes, aceito as condições!
Pode-se acrescentar que uns tempos depois, um ano ou dois, em nova consulta de estomatologia, o Dr José Malheiro teve a mesma atitude. Desta vez cobrou 200$00, verba também destinada a apoio aos presos políticos, entregou os selos respectivos e acrescentou: guarde-os porque este regime não vai durar muitos anos.
Daí em diante, o Dr. José Malheiro nunca mais pediu nem cobrou qualquer importância em consultas e tratamentos de dentes a esse jovem, antes e após Abril de 1974.
 
 

segunda-feira, 11 de março de 2013

Coisas de Almada e da Gente Que Viveu e Vive Almada

 
A então conhecida Estalagem Rosa dos Ventos dos tempos áureos da Costa da Caparica, anos 50-60, ficava na Rua Dr. Castro Freire, rua que é perpendicular à actual denominada Rua Catarina Eufémia.
No local foi construído um prédio que apresenta alguma semelhança na fachada com a da antiga Estalagem.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu e Vive Almada

Na Praça da Renovação, o edifício dos serviços - Dispensário de Almada - do Instituto da Assistência Nacional aos Tuberculosos na década de 60,  já desactivado.
Os serviços que funcionavam aqui foram transferidos para novas instalações localizadas no morro ao início da  Rua das Terras dos Cortes Reais, no Pombal, Cova da Piedade.
Foi Director deste Dispensário em Almada o conhecido médico Dr. Henrique Barbeitos.
Por trás do edifício está o Externato Frei Luís de Sousa. à direita na foto é agora a Rua Luís de Queiroz,  antiga azinhaga de Matacães.
O terreno com área de 833m2 onde estava implantado o edifício foi alienado pelo Estado à Câmara Municipal de Almada, para urbanização, em 25 de Julho de 1964 por 600.000$00, destinados a custear a construção e o apetrechamento das novas instalações.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Gente de Almada, Gente Que Vive Almada

José da Silva Pinho - Mestre Zé - é natural de Lisboa, nasceu a 16 de Março de 1925 na freguesia de S. Miguel, em Alfama. Em 1952, com 27 anos veio morar para Almada.
Começou a trabalhar aos 7 anos vendendo jornais. Aos 12 anos deixou  este "emprego" e enveredou pela vida de marítimo no Rio Tejo na fragata "A Corticeira" de Albano Leite onde era "moço".
Tirou a Cédula Marítima na Delegação Marítima de Vila Franca de Xira e foi subindo na carreira que abraçou. De "moço" passou por marinheiro, arrais, contra-mestre e mestre (tirou a carta de mestre em 1952) .Terminou nesta categoria a actividade profissional no ano de 1983 reformado por inavlidez. Era então mestre do rebocador "Mutela".
No seu curriculum de marítimo para além de fragatas,  passou por várias embarcações, cargueiros: "cargueiro do Geada", batelões: "Miguel", "Ota", "César" e "Arneiro", lancha "Monfortinho", rebocadores: "Fuinha",  "Monsanto"  e "Mutela".
Em 1943 entrou para o quadro de pessoal da Companhia Colonial de Navegação na categoria de moço e em 1949 passa a marinheiro no rebocador "Mutela".
A  actividade de marítimo não se limitou ao Rio Tejo. Também fez navegação de cabotagem  entre Lisboa, Aveiro, Porto e Viana do Castelo.
Quando do acidente no Rio Tejo com o porta-contentores inglês "Tollan",  Mestre Zé colaborou no salvamento, transportando náufragos deste para o Cais-do-Sodré.
No início de Julho de 1974, quando era mestre no rebocador "Mutela", com os seus homens, fez o salvamento de dois cadetes, James Wale de 23 anos e Rogers Kenneth de 21 anos, do navio-escola americano "Bay Satare", fundeado no Tejo.
 Os cadetes regressavam ao navio-escola depois de parte da noite passada por Lisboa e atrasaram-se. Ao chegarem ao cais, já não tinham transporte para o navio que se encontrava fundeado. Decidiram  meterem-se numa pequena lancha, de caixa aberta que ali se encontrava, a remos. Passado pouco tempo esta começou a meter água, atiraram-se ao rio e foram arrastados até próximo do pilar norte da Ponte sobre o Tejo. O cão de bordo do "Mutela", (do qual José Silva Pinto era o mestre) deu o alerta, começando a ladrar, pelas 6 horas da manhã.
Depois de recolher os cadetes, Mestre Zé transportou-os até à Rocha Conde de Óbidos e entregou o caso à Polícia Marítima que os levou ao Hospital.
A ocorrência foi publicada no Diário de Notícias de 2 de Julho de 1974.
Depois de tantos anos de trabalho marítimo, actividade que abraçou com dedicação e "amor à camisola",  Mestre Zé fala da sua vida e tempos passados no Rio Tejo  com conhecimentos enraizados, vividos e sentidos.
É um coleccionador nato. Entre as suas colecções não poderia faltar uma colecção de fotos e  informações sobre  paquetes, veleiros, navios de guerra, rebocadores, fragatas, cacilheiros e outras embarcações.
 
Mestre Zé com os seus 87 anos, aparece frequentemente, quando o estado do tempo permite, pelas manhãs e tardes, pela Praça de Renovação na esplanada do "Rifera" para  momentos de convívio com amigos, entre estes o Sr. Carlos Alberto Durão, beber a "bica" e fumar um cigarro, hábito ( fumador) que cultiva há mais de 70 anos.

sábado, 16 de fevereiro de 2013

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu e Vive Almada

É uma imagem da Praça da Renovação nos primeiros anos da década de 60. Da esquerda para a direita em piso térreo temos as instalações dos Correios, (era ao tempo a única Estação dos Correios em Almada) que ainda hoje funcionam no mesmo local, a seguir o Café Snack-Bar Arcada com esplanada e depois temos a Radiolar - loja de electrodomésticos e venda de discos de vinil (música). O edifício à direita e um pouco atrás é o Externato Frei Luís de Sousa.
No terreno que se vê frente ao muro branco estava o edifício do IANT (Instituto de Assistência Nacional aos Tuberculosos), posteriormente demolido, Aí foram construídos dois o prédios. Num deles está sediada actualmente a Agência da  Caixa Geral de Depósitos.
No prédio à esquerda, funcionava no primeiro andar um cabeleireiro-salão de beleza designado "Beleza Feminina".
Por cima da Radiolar, na esquina do prédio, vê-se o anúncio aos frigoríficos Kelvinator.
O local frente à Radiolar era ponto de convívio dos alunos do "Frei" dos  6º e 7º anos nos intervalos de 10 minutos entre as aulas. Eram os únicos que estavam autorizados a sair das instalações durante os intervalos.
 

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Coisas de Almada e de Gente Que Vive Almada

É já na próxima sexta-feira, dia 15 de Fevereiro pelas 21 H que no Café "Chá de Histórias", na Rua Cândido dos Reis em Cacilhas, acontece a 2ª Noite do Vinil, onde se pode ouvir  música dos anos 50 e 60 em discos de vinil. A entrada é livre.
A 1ª Noite do Vinil realizou-se no dia 18 de Janeiro de 2013 e foi um êxito.
A apresentação e condução da "Noite"  é feita pelo almadense  José António Santos -"Pila".
Está previsto acontecerem estas sessões todas as terceiras sextas-feiras de cada mês. 
As "Noites do Vinil" são uma organização de "O Farol" - Associação de Cidadania de Cacilhas e da "AAAEEN" - Associação de Antigos Alunos da Escola Emídio Navarro.

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu Almada

Notícia publicada no Jornal de Almada - Semanário Regionalista - Nº 595 Ano XII de 15 de Maio de 1966, cujo preço de venda era  1$00 (um escudo).
Na data era Director do Jornal de Almada o seu fundador, Padre Manuel Marques e o Administrador era João Narciso Martins.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu e Vive Almada

Postal da Praia da Costa da Caparica (centro), provavelmente de finais dos anos 60 do século XX, já com parte do paredão construído, mas ainda sem os esporões.
Vêem-se da esquerda para a direita os banheiros (estabelecimentos de banhos) Paraíso, Tarquínio e o Evandro. O Evandro viria a ser desactivado. Na zona onde está a começar a ser construído um esporão, vê-se o antigo restaurante "O Bento".
No areal atrás dos banheiros é visível a linha do Transpraia e os locais demarcados para banhos de sol. No canto inferior esquerdo da foto temos a típica embarcação de pesca da Costa da Caparica.
À direita na foto para além das casas de madeira, está um "carrousel" para crianças.
Para a direita de "O Bento" estavam os banheiros "Primoroso",  "Marcelino", "Vitória" com restaurante (na praia) e ficavam as designadas praias de S.António e S. João da Caparica até ao "bico da areia" - Cova do Vapor.
Os banhistas chegavam aos estabelecimento de banho e ao mar caminhando sobre passadeiras de madeira ao longo das quais  e lateralmente, existiam  postes de madeira com tamanho médio,  onde eram afixados pequenos painéis publicitários.

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Coisas de Almada e da Gente Que Viveu e Vive Almada

Almada em postal de um passado muito recente, finais do Séc. XX,  em imagem da antiga Praça de Gil Vicente, com aspecto urbano, moderno, onde o verde e a água faziam parte da paisagem e da vida desta cidade no local.
O contraste com a imagem actual da mesma Praça, depois da designada "requalificação urbana" desencadeada pela Câmara Municipal é brutal e para pior. Hoje neste mesmo lugar de Almada passa um comboio inútil e despesista e, predomina a pedra na paisagem associada a postes que sustentam a catenária. Perdeu-se a beleza da Praça, o verde, as flores, as árvores, o movimento das pessoas e Almada ficou cheia de pedras
Almada andou para trás na primeira década deste Séc. XXI. Desertificaram-na. Tiraram-lhe vida urbana e a vivência  humana no quotidiano.

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Gente de Almada, Gente Que Vive Almada

 
Fernando Paiva Moura, à esquerda na foto com Edgar Rodrigues, nasceu em Almada  a 3 de Dezembro de 1925, fez o curso Industrial na Escola Fonseca Benevides e aos 16 anos começou a trabalhar no Arsenal do Alfeite como Ajudante de 3ª Classe,  onde se reformou  como Contra-Mestre de 1ª.
Aos 16 anos  iniciou-se no movimento cooperativista na Sociedade Cooperativa Almadense como associado, tendo passado por vários cargos nos corpos gerentes. No âmbito das  actividades cooperativistas com José Correia Pires, outro cooperativista e anarquista, criaram  a Cooperativa de Panificação SulCoop, (associação de outras cooperativas da Margem Sul) para abastecer de pão as associadas.
Fernando Moura esteve sempre ligado aos destinos da Sociedade Cooperativa Almadense, na qual foi um acérrimo defensor dos ideais cooperativistas e libertários.
Quando a PluriCoop tentou nos anos 1976-1977 tomar conta das Cooperativas e do movimento cooperativista, Fernando Moura e outros, tal como Leonel Guerreiro Andrade e  Gouveia Mendes Martins, estiveram na primeira linha de oposição a essa tentativa. Foram  defensores dos ideais do movimento e do património que aos sócios pertencia, tendo travado dura luta que levou a que esta cooperativa tivesse sobrevivido à anexação e à destruição do  património dos sócios
O património que era dos sócios, aos sócios continuou a pertencer.
Vítima do "progresso" económico-social que pôs fim às actividades tradicionais do movimento cooperativista, a  Sociedade Cooperativa Almadense por vontade dos sócios foi convertida em Cooperativa Almadense de Solidariedade Social, através de um projecto de importância sócio-comunitário, virado para a área da Saúde com  cuidados médicos primários e continuados  de apoio aos sócios  e à comunidade, mercê do espírito cooperativista e valores humanistas dos seus associados,  que permitiram a disponibilidade do património para fins socialmente dignos.
É uma obra que está sendo erguida graças à resistência de Fernando Moura e de seus companheiros, contra as tentativas de totalitarismos, na defesa de valores humanistas e da liberdade de pensamento e expressão do ser humano, livre de qualquer opressão, seja da dita esquerda ou da dita direita. 
 
Nota: A foto foi tirada em Almada, na Praça da Renovação, a 24 de Maio de 2004, por ocasião da visita de Edgar Rodrigues a Portugal, quando veio a Almada na tentativa de conseguir encontrar ainda alguns velhos anarquistas aqui  residentes, José Correia Pires, Jorge Quaresma, Sebastião de Almeida.
Edgar Rodrigues, pseudónimo de António Francisco Correia, anarquista, nasceu a 12 de Março de 1921 em Angeiras, Freguesia de Lavra, Matosinhos, Portugal, faleceu a 14 de Maio de 2009 no Rio de Janeiro. Emigrou para o Brasil em 1951 por perseguição do regime Salazarista. 
Realizou um excelente trabalho de biografias e historial do movimento sindicalista e anarquista em Portugal e no Brasil de que tem publicadas mais de 60 obras.

 

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

Coisas de Almada e da Gente Que Viveu e Vive Almada

"Cidade de Almada" foi um jornal cuja  publicação teve início no mês de Setembro de 1978, do qual divulgamos o cabeçalho de seu nº 1.
O jornal tinha como Director  o seu proprietário Juvêncio Pires e sede na Rua Luís António Verney, 19 - 1º Dtº,  Cova da Piedade.
O Chefe de Redacção era José Salvador  e a composição, montagem e impressão fazia-se na União Gráfica, Rua de Santa Marta, 48  Lisboa.
A Direcção Artística era de Paulo Jorge, assistido por Juvêncio Pires.
Era intenção da Direcção transformá-lo num jornal só para assinantes, conforme se escrevia na 2ª página.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada

 
Faleceu esta madrugada vítima de doença implacável o almadense Afonso Morgado com 65 anos de idade, amigo e antigo companheiro na Escola Primária  Conde Ferreira de Almada.
Sempre revelando boa disposição, camaradagem  e prazer de conviver com amigos, deixa entre estes um grande pesar ao partir  tão violentamente do seu circulo de amizades.
À mulher, filhos e restante família, sentidas condolências.

Imagem de foto do blog da Associação de Antigos Alunos da Escola Emídio Navarro.

sábado, 19 de janeiro de 2013

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada

O Dr. Marcelino António Orrico Horta, no topo da imagem  à direita, foi professor  de Ciências Naturais - Botânica, Zoologia, Geologia, Mineralogia  - e Biologia no Externato Frei Luís de Sousa.
Pelas suas qualidades pedagógicas,  pessoais e formação humana, grangeou entre os alunos elevada estima e uma consideração muito especial porque mantinha uma relação de proximidade e camaradagem com seus alunos, que por isso mesmo o respeitavam e  recordam com  amizade, não esquecendo o mestre.
O Dr. Marcelino Horta fazia  trabalho de investigação  na Direcção-Geral dos Serviços Florestais e Aquícolas do então Ministério da Agricultura.
De manhã dava aulas no Frei Luís de Sousa e à tarde era investigador na área de Entomologia (estudo dos insectos) na citada Direcção-Geral. Era pois Entomologista.
A foto que apresentamos foi retirada  de http://www.lusosnadiaspora.net, um sítio de Vancouver, cidade do Canadá, para onde o Dr. Marcelino Horta emigrou na segunda metade dos anos 60.
Esta foto é de alunos e professores da Escola Portuguesa de Nossa Senhora de Fátima fundada em 1968, onde o nosso Professor Dr. Marcelino Horta e o  outro Professor na imagem, foram os primeiros professores a leccionarem a língua portuguesa naquela cidade.
Ficámos a saber que o Dr. Marcelino, já com mais de 80 anos, reside em Vancouver.
 
Agradecimentos ao Sr. Belarmino Batista, de Vancouver.

domingo, 13 de janeiro de 2013

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada

 
O Padre João Soares Cabeçadas, foi o primeiro Director do Externato Frei Luís de Sousa, Almada, tendo exercido  estas funções de 1956 a 1959.
Era uma pessoa de vincada personalidade, que não deixou indiferentes os alunos e quem com ele conviveu no Frei Luís de Sousa. Por isso mesmo é muito lembrado entre os alunos do seu tempo.
Sucedeu-lhe no cargo o Cónego António Gonçalves Pedro.
 
O Padre João Cabeçadas nasceu em 28 de Janeiro de 1921. Era também Capelão da Marinha Portuguesa, onde se alistou em 14 de Novembro de 1945.
Integrou a Direcção da Revista da Armada, fundada em 1971, cujo primeiro número foi publicado em 1 de Julho de 1971.
Em Outubro de 1971 foi destacado para o desempenho do cargo de Delegado da Capelania-Mór das Forças Armadas junto do Comando-Chefe de Moçambique.
Foi Capelão-Chefe da Armada, tendo passado à Reserva em 26 de Agosto de 1975 no posto de Capitão-de-Fragata, deixando o serviço activo.
 
No seu tempo de Director, o Externato tinha um Gabinete Médico constituído por dois clínicos, um médico para o sector masculino e uma médica para  o sector feminino.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu e Vive Almada

A Trafaria num postal com alguns anos (segunda metade do séc. XX) do Largo da República, com a Igreja Paroquial de S. Pedro à esquerda, local ainda perfeitamente reconhecível nos tempos actuais.
Apesar de tudo há uma diferença notável. Na data da foto ainda por lá circulavam viaturas e o movimento de pessoas era maior do que actualmente.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Gente de Almada, Gente Que Vive Almada

Fernando Miranda Barão, almadense nascido em Cacilhas, completou 89 anos no passado dia 2 de Janeiro de 2013.
Em Novembro de 1974 o boletim "O Incrível", da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, em seu nº 6, fez ao então associado nº 514 a pergunta "Como vê a Incrível no momento político actual?", de que se reproduz a foto e texto.

domingo, 23 de dezembro de 2012

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu e Vive Almada

A 6 de Agosto de 1966 foi inaugurada a Ponte Salazar depois "baptizada" impropriamente, (porque a construção é anterior à data  25 de Abril de 1974) Ponte 25 de Abril.
A cerimónia da inauguração decorreu na Praça das Portagens (naquele tempo  havia duas portagens, uma para cada sentido do tráfego)  na margem sul - Almada - e foi presidida pelo Presidente da República. Estiveram presentes o Doutor Oliveira Salazar, Presidente do Conselho de Ministros e o Cardeal Patriarca de Lisboa, D. Manuel Cerejeira. 
Na imagem, após a cerimónia, a viatura do venerando (como por vezes se dizia) Chefe de Estado, Américo de Deus Rodrigues Tomás, abandona o local dirigindo-se para o tabuleiro da Ponte, de regresso a Lisboa.
Os veículos utilizados, a maioria veículos pesados, na prova/ensaios de carga (ou grande parte deles) que atravessaram a "Ponte sobre o Tejo" uns dias antes da inauguração, fizeram uma passagem pelas avenidas do centro de Almada, antes de regressarem às origens. Foi um dia de grande movimento rodoviário nas avenidas D. Nuno Álvares Pereira, D. Afonso Henriques e Frederico Ulrich, que deixou muita gente surpreendida a ver o "cortejo" passar. Foi como o anunciar  à população de Almada a proximidade da data ou  uma prévia da  "grande festa".

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Gente de Almada, Gente Que Viveu e Vive Almada

Alunos/ex-alunos do Externato Frei Luís de Sousa, Almada, em foto de 1967* por ocasião da  Festa das comemorações do 10º Aniversário deste estabelecimento de ensino.
O 2º elemento a contar da direita é o Rodolfo Gerardo Henriques, falecido em comissão de serviço militar na Guiné a 3 de Março de 1969.
Esta foto foi feita no recreio das alunas. Naqueles anos,  no ensino secundário havia turmas e recreios separados. Só os 6º e 7º anos, o designado 3º ciclo liceal, tinham turmas mistas.

* Esta data foi corrigida. Anteriormente estava aqui citada sendo de 1966, mas encontrado o programa da Festa, verifica-se que deve ter sido em 1967.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu e Vive Almada

Muita gente ainda se lembra do comboio urbano da Costa da Caparica, puxado por um tractor, que fazia passeios turísticos ao fim das tardes e à noite pelas artérias da povoação no Verão (em roteiro definido), uma legenda turística da então agradável povoação.
Na imagem, anterior a 1975, vemos esse comboio com as cores da "Transul", empresa de transportes constituída em 1 de Janeiro de 1968 pela fusão da "Transportes Beira-Rio" de Rodrigo Zagalo e Melo (falecido a 10 de Agosto de 2012 com 87 anos) com sede na Cova da Piedade  e  a "Empresa de Camionetes Piedense",  de José Sousa Silva e Fernando Sobral, com sede na Trafaria.
Este comboio funcionava anteriormente à fusão, com as cores da "Piedense" -  cinza prata e azul - a concessionária dos transportes públicos rodoviários no concelho de Almada para a Costa da Caparica - "Praia do Sol".
No postal, "o comboio" está na Av. da República. À esquerda ficava o "Costa Nova" café e restaurante, à direita o "Papo-Seco", que tinha uma agradável esplanada no início da Rua dos Pescadores (designada então popularmente por "o picadeiro" ou "passerelle") também à direita. Em frente o Largo Comandante Sá Linhares.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Coisas de Almada e de Gente que Viveu e Vive Almada

O Café Central de Almada, o antigo, não o actual, era o café de Portugal que tinha "o único Pasteleiro do País condecorado pelo Chefe de Estado".
Estávamos em 1970 quando foi publicado este anúncio. Naquele tempo muita gente em Almada sabia que "o Central"  tinha no seu staff um excelente pasteleiro chefe, que havia sido condecorado pelo Chefe de Estado.
A pastelaria do então "Central" de Almada era deliciosa e afamada  e os bolos de noiva que saíam das mãos do pasteleiro eram "obras de arte" na pastelaria portuguesa.

sábado, 1 de dezembro de 2012

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu e Vive Almada

 
Foto do início da década de 70 onde ficaram registados os primórdios da construção de imóveis na zona  que  veio a ser denominada Avenida Rainha D. Leonor.
À esquerda temos parcialmente o edifício da futura Escola Preparatória D. António da Costa. Em fundo é visível parte dos estaleiros da Lisnave e o Mar da Palha.

PS. Retomo  a operacionalidade do blog.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Coisas de Almada

É chegado o tempo em que é comum dizermos "há falta" de tempo.
Muitas vezes  passamos pelo tempo sem o viver e depois dizemos que não temos tempo. Uma desculpa, muitas vezes, esfarrapada.
O tempo é padrão para viver e ser vivido na passagem  de um ser vivo por este planeta. Para fazermos ou vivermos o que deveriamos fazer e viver, uma vez inseridos num colectivo a partilhar harmoniosamente com os restantes elementos.
"A falta" de tempo leva a que este blog encerre suas actividades por tempo indeterminado - "sine die".
O futuro o dirá, já que o presente é sempre vivido e construído por um passado que o habita e por um futuro que antecipa.
Material para o blog não faltou, nem falta. Visitantes também foram frequentes.
Daí um nosso agradecimento a todos quantos por aqui passaram e aos amigos que nos forneceram abundante material e informação para postagens.
A estes amigos pedimos desculpa por não termos divulgado  tudo o que nos forneceram ou disponibilizaram, sem qualquer contrapartida, a não ser a sã amizade que sempre partilhámos e uma vivência comum: Almada.
Fica aqui um grande abraço, traduzido nos braços abertos de Cristo Redentor (universal), Monumento Cristo-Rei, Almada, para todos amigos e visitantes, independentemente  de suas opções religiosas ou políticas.

Agradecimento
almaDalmada

segunda-feira, 16 de julho de 2012

Coisas de Almada e de Gente que Viveu e Vive Almada

Uma imagem da Almada nos anos 50. Aqui, a Rua D. Sancho I no sentido Mutela para a Praça Gil Vicente.
Ao fundo  descortina-se o edifício do estabelecimento de ensino do Dr. Dâmaso da Silva (Dr. Dâmaso), o Externato Liceal de Almada,  conhecido popularmente por " O Gato",  "Externato do Gato" ou Externato  "o Gato",  por ter numa janela das suas águas furtadas  pintada a imagem de um gato preto.
Por detrás de "o Gato" ainda não havia as construções que hoje lá estão. Ainda tudo era terreno rural.

sábado, 14 de julho de 2012

Coisas de Almada e de Gente Que Viveu Almada

"VOZ ANARQUISTA" jornal quinzenário, propriedade do Grupo Libertário de Almada, em seu Nº 1 - 22 de Janeiro de 1975.
Neste número são publicadas biografias de  Dr. Gregório Nazianzeno Moreira de Queiroz e Vasconcelos (Neno Vasco); Miguel Bakunine; François Noel Babeuf e Pedro Kropotkine.
O falecimento de Jaime Rebelo, um anarquista setubalense ligado a Almada, falecido em 7 de Janeiro de 1975 é noticiada com uma breve resenha da sua vida e ideal libertário.
Adriano Botelho escreve um artigo intitulado "O Anarquismo". José Correia Pires escreve-nos  "O Sentido da Vida" e Jorge Quaresma, "Sempre a História".

quarta-feira, 11 de julho de 2012

Coisas de Almada e da Gente Que Viveu e Vive Almada

Vista parcial de Almada antiga, final da década de 50/início 60 (?) com o Jardim Cte Sá Linhares em 1º plano e o edifício do antigo Tribunal da Comarca à direita.
Em fundo no plano superior é visível a torre do edifício da Câmara, o Castelo de Almada   e  o campanário da Igreja de Sant'Iago.

sábado, 7 de julho de 2012

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada

O almadense João Paulo Castro Queiroz Serra deixou o convívio de seus amigos e Almada  no dia 22 de Março de 2012, onde faleceu.
Era natural de Lisboa. Nasceu a 29 de Setembro de 1956, na freguesia de S. Sebastião da Pedreira, mas viveu sempre em Almada, onde granjeou uma vasto grupo de amigos que o admiravam pela sua franca personalidade e  sociabilidade.
O João Paulo Serra tinha o prazer de conviver e saber conviver com todos. Seus cumprimentos e saudações eram sempre acompanhadas por um natural sorriso de sã camaradagem.

"Era bem disposto e afável com todos. Muito prestável e amigo de seu amigo gostava de conversar e era querido por todos os que com ele conviviam. Deixa em toda a sua família e amigos uma enorme saudade".
"Um amigo que ao longo da sua vida, soube sempre partilhar connosco, momentos agradáveis de amizade, bonomia e altruísmo".

Aqui deixamos uma sentida homenagem ao almadense amigo que viveu Almada.

quarta-feira, 4 de julho de 2012

Gente de Almada, Gente Que Viveu e Vive Almada

Na segunda metade da década de 60 do Século XX, os estudantes de Almada, de diversas áreas do ensino superior estudavam pelos Cafés da Vila, nomeadamente no Café Central e depois no Café Repuxo e por aí confraternizavam nos intervalos do estudo.
Aos fins de semana ou em períodos de férias organizavam idas ao teatro a Lisboa, ao cinema, visitas a exposições, museus e festas. Uma vez por outra organizavam passeios de autocarro. Quotizavam-se, alugavam um autocarro e iam em grupo excursionista num dia, confraternizar até uma vila ou cidade de Portugal.
É de um desses passeios a foto exibida. Da esquerda para a direita estão: Minderico, Joaquina, Santos Silva, Rodolfo e Maria José.