sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Coisas de Almada e da Gente Que Viveu e Vive Almada

Foto da década de 70 (séc. XX) da Capela e casa da antiga Quinta dos Farinhas, designação pela qual era conhecida até ao séc XVIII a Quinta da Ramalha ou de S.João da Ramalha.
Nas traseiras da Capela existiam duas palmeiras. Uma delas foi destruída recentemente pelas obras patrocinadas pela Câmara Municipal de Almada que ocuparam o terreno existente com moderna construção, 100% betão, destinada a Centro Social.
Foi mais uma destruição do património memória do concelho, conseguida pela Câmara, à revelia do IGESPAR, sem quaisquer obstáculos de quem tem obrigação de preservar e proteger monumentos históricos do assalto assassino do progresso, que ocupa todo o palmo de solo para novas edificações e realização privada de mais valias capitalistas, com prejuízo das populações e da sua memória colectiva.
Na foto vê-se, à direita, o portal da antiga quinta.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Coisas de Almada e de Gente Que Vive Almada

Recibos de pagamento da uma 1ª e de uma última mensalidade, ao Externato Frei Luís de Sousa, entre 1958 (1º Ano do 1ºciclo) e 1965 ( 7º ano -antigo 3º ciclo do ensino liceal).
Em 7 anos a mensalidade cresceu 150%!
O Externato Frei Luís de Sousa é um marco notável e imagem do ensino no concelho.
O "Frei" permanece, os autarcas e as pessoas passam.
Com o radicalismo doentio de falsa esquerda, lamenta-se que a Câmara Municipal de Almada tenha tratado tão mal este estabelecimento de ensino nos últimos anos, embora sem ter deixado de se aproveitar do "Frei", quando lhe convém para fins promocionais, com a colaboração de algumas figuras da Igreja e não só... evidentemente.
Simultâneamente, lamenta-se que quem nada deve ideológica ou religiosamente à Câmara Municipal de Almada, que devia manter-se acima de polémicas politico-partidárias, se deixe envolver numa teia viciada, da qual cidadãos livres não querem ser prisioneiros e repudiam.

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Coisas de Almada e da Gente que Viveu e Vive Almada


Lavadouro Público de Almada na Boca do Vento, construído pela Câmara Municipal de Almada em 1925.
Era uma memória do passado de Almada, mas como fazia muitas cócegas à gestão que se instalou na Câmara, no pós 25 de Abril de 1974 e tem permanecido, foi mandado destruir para dar lugar a um restaurante e pizaria.
Foi destruído um pouco do passado e da história de Almada e de suas gentes.
Empobreceu-se o património edificado. Empobreceu-se Almada.
O mesmo tem sido feito um pouco por todo o concelho pela actual Câmara, constituída por gente que não é de Almada, descaracterizando a nossa terra, cortando a relação dos almadenses com o seu passado.

sábado, 3 de outubro de 2009

Gente de Almada, Gente Que Viveu Almada

 
 

Na imagem de capa deste 45 rotações de Vitorino ( seu primeiro disco ?) de 1975, à esquerda temos José Brito, o "velho Brito", como o conhecíamos.
Anarquista, residente em Lisboa, era visita e cliente do antigo Café Central, ex-libris de Almada, local de encontro de gerações e personalidades ligadas às artes, letras, política e à cultura, em Almada (dizemo-lo sem hesitação), situado na Praça da Renovação, onde muitos estudantes "tiraram os cursos".
Conhecemos o "velho Brito" em interessantes tertúlias e encontros no Central, após Abril de 1974, - onde aparecia com frequência ao fim da manhã - com os anarquistas almadenses José Correia Pires, Jaime Feio, Quaresma e Sebastião e jovens "candidatos" a anarquistas, entre outros .
O "velho Brito" sabia ouvir. Defendendo sempre ideais libertários e humanistas era pessoa simpática, irreverente muitas vezes, apaixonado pelo ideal anarquista, cativava com simpatia a presença dos mais novos, a quem surpreendia com suas dissertações e respostas a questões políticas e sociais que lhe colocavam.
Excelentes conversas construtivas escutámos deste cidadão de boina anarquista, crescidos cabelos brancos e sempre com sua pasta preta debaixo do braço, da qual retirava publicações "anarcas", algumas por ele editadas através da sua editora "ACRATA", que distribuía a amigos.
O "velho Brito" pessoa afável e bom conversador, possuía uma grande e excelente biblioteca. Um Jornal vespertino da capital dedicou-lhe, em vida, uma reportagem realizada em sua casa situada num dos bairros antigos da capital - a Bica.
Colaborou em Almada na edição da irreverente publicação anarquista "Merda", da qual só saíram três números.